Thursday, September 17, 2009

Ratings

As brincadeiras entre o Estado e a banca terão um fim. Não risonho necessariamente, mas, mais cedo ou mais tarde, tal como todas as estradas, conhecerá um fim.

É do conhecimento geral, muitos negócios (grandes negócios) que a banca faz estão relacionados com o Estado. Se houver uma megaempreitada para avançar, naturalmente alguém tem que financiar as empresas de construção. Se são criadas linhas de apoio com taxas de juro atractivas para as empresas quem é que as disponibiliza? Os bancos. É nesta premissa que todas as sociedades desenvolvidas trabalham, e é facto aceite e banal na maior parte dos países.

Qual é o drama então? O retorno destes investimentos. Não só para o banco, mas também para o Estado. Sem ser necessário enunciar vastos exemplos de investimento estatal execrável, é fácil compreender que se os investimentos não tiverem retorno as consequências são no mínimo, complicadas de gerir.

Há uns meses atrás, a agência Standard & Poors (nome curioso para uma agência de cotações) reviu em baixa o rating de Portugal e agora, a Moody's - outra agência - revê em baixa o rating do BCP, CGD, BES e Montepio, ou seja, reviu em baixa a capacidade destes bancos cumprirem com as suas responsabilidades. Juntemos a este caldo, os também redondos 100% de dívida externa. Lembre-se também que os mercados já estão a arrebitar. Tendo todos estes factores em conta, pode-se daqui extrair, algumas conclusões.

A mais directa, é o agravamento dos spreads praticados nos empréstimos pelos bancos. Se o dinheiro comprado pela banca é mais caro, será também mais caro para o próximo elo da cadeia (famílias, empresas).
Isto significa menos capacidade para emprestar dinheiro, consequentemente, mais rigor nas análises ao risco, menos dinheiro nos mercados para investimentos e subsequente desenvolvimento.

Por último, e para mim a mais grave, será a inevitável deslocação de capital e dos centros de decisão para outros países. Se as empresas - bancos incluídos - se fragilizam cada vez mais, correm sérios riscos de verem o capital estrangeiro consolidar a sua posição dentro do país (veja-se a invasão de empresas em Portugal como a Sonangol). A grande vantagem de termos os centros de decisão das empresas nacionais dentro do país é a maior capacidade de agilização em torno de determinados projectos. Se esta vantagem é utilizada infinitamente para investimentos com pouco ou nenhum retorno.. "buckle your seatbelt Dorothy.. because Kansas is going bye bye"

No comments: