Wednesday, July 29, 2009

Weak society.. weak politics

Ontem, numa análise da SIC Noticias sobre o 1º debate Costa-Santana, um comentador, salientou e bem, que António Costa tem uma desvantagem. Apesar de ter resolvida a questão das contas da Câmara, não tem nada para mostrar. E Santana sim, tem o seu túnel como trunfo.

Aquilo que os candidatos têm para mostrar depende daquilo que as pessoas querem ver; se ter as contas da Câmara em dia for uma prioridade para o eleitorado, nesse caso António Costa tinha um trunfo na manga. Mas como as pessoas querem obras feitas, Santana tem um túnel para argumentar. Como é que podemos ter as contas do País em dia e apostar em políticas de conhecimento e desenvolvimento dos nossos recursos humanos, se a grande massa eleitoral entende por obra feita, túneis, pontes, viadutos e centros comerciais? Por muito boas ideias que se tenha a nossa sociedade limita a política a um raio de acção de show off, onde o que é preciso mesmo fazer, não é feito.. sob pena de não se ser reeleito.

Veja-se Felgueiras por exemplo, onde grande parte da população não está interessada na forma como os dinheiros da Câmara são tratados; o que interessa, é a tal obra feita, se o envelope é azul ou amarelo, o último que feche a porta.

Ah pois é.

Monday, July 27, 2009

Droga

Existe uma lei básica em economia comummente conhecida por lei da oferta e procura. Uma das conclusões básicas desta lei é que se não existir procura, mais cedo ou mais tarde, não existe oferta.

Porque é que hoje em dia a maior parte das crianças já não brinca com piões ou carrinhos de rolamentos? Porque os brinquedos foram substituídos por outros de tecnologia mais recente e mais apelativa que a anterior. Podem nomear-se dezenas de exemplos sobre produtos que foram substituídos, parcial ou totalmente, por tecnologia mais evoluída e claro está, mais interessante no que à sua utilização diz respeito.

O problema da droga apresenta-se, em teoria, simples. Sem procura, não há oferta. Ainda que estejam disponíveis quilos e quilos de droga para consumo, não havendo procura, não há consumo e consequentemente, não há tráfico.

A pergunta formulada para responder a esta problemática redunda em duas respostas: combate cerrado ao tráfico e prevenção. As duas respostas curiosamente, trazem consigo dois problemas; primeiro, gastam-se rios de dinheiro no combate ao tráfico de droga, numa proporção muito maior do que a que é investida na prevenção. Voltamos ao mesmo, sem procura, não há tráfico.. o problema é combatido ao contrário. A questão da prevenção é igualmente patética: muitos dos jovens que já experimentaram droga (um charro por exemplo) perdem 10 minutos a rir depois de ler um panfleto de prevenção. Posso dar como exemplo este postal do Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT), disponível aqui.
Primeiro, sugere duas formas de consumo, a segunda, a ingestão. Toda a gente sabe que a cannabis é para fumar, para quê a informação sobre a sua comestibilidade?
Segundo, fala sobre os seus efeitos, em consumo normal e em consumo exagerado incluindo desmotivação generalizada, ansiedade e paranóia, problemas de memória, atenção e ainda psicoses. Quem já fumou um outro charrito só pode achar isto uma anedota. Não por ser mentira, mas quem é que com 15 ou 16 anos pensa que vai ficar paranóico ou depressivo por causa de cannabis?
Por último, a toalha é atirada ao chão, ou seja, inclui um parágrafo intitulado "Se consumires" onde se explica as limitações aconselhavéis relativamente ao consumo desta droga. "Já que vais consumir tem cuidado com isto, isto e isto"
Aquilo que se faz então é um trabalho deficiente na prevenção e um esbanjamento de dinheiro em combate ao tráfico.

Solução: mostrar e disponibilizar aos jovens as alternativas à droga. Quais as tecnologias que poderão tornar a droga obsoleta? A pergunta formulada deve ser esta.

Saturday, July 25, 2009

Um desabafo

Do nosso Primeiro Ministro, sua senhoria José Sócrates:

"Tenho a dizer-vos meus amigos, que estes 4 anos foram duros. Mas duros a valer. Anda já tudo a fazer balanços; de acordo com alguma dessa malta que por aí escreve, praticamente nada mudou. O défice é o mesmo, os 150.000 empregos, a competitividade, as exportações, a educação, a Autoeuropa e azar dos azares, os corninhos do Pinho.

Já viram bem a minha vida? Nesta legislatura tive até que deixar de fumar. O Lino e o "jamais". E não é que tive que fazer lá mesmo o aeroporto? Bom, se é que o vou fazer.. lá arranjei a desculpa que é uma questão de fundo. Fica para depois das eleições. Menos uma para me chatear, pelo menos para já. Ainda não houve grandes incêndios até à data, a ver se a coisa se aguenta assim. Já vi também que maioria absoluta é grupo. Ataquei tudo o que havia para atacar nos últimos 4 anos, agora bem que me lixo. A seita do PSD que nada tinha de jeito arranjou um Rangel, que pelos vistos, ainda dá alguma luta. Logo agora. A crise internacional levou-me os 150.000 postos de trabalho. Até o Magalhães criticaram. Que a empresa fabricante deve dinheiro ao fisco. Que só 60% dos componentes é que são portugueses e sei lá mais o quê. Passei a vergonha de ouvir o americano da Microsoft dizer que ele era o único no país entusiasmado com aquilo. Até ao Chavez eu vendi o computador numa cimeira. E esta gente, sempre critica, sempre negativa.

E agora, pressionado para me recandidatar. Eu quero é férias!"

O texto é obviamente ficcional e tem um propósito lúdico. Não tenho dinheiro para ser processado.

Thursday, July 23, 2009

Internet e Marcas

À medida que as marcas reforçam a sua presença na internet, as tácticas para chegar ao consumidor são cada vez mais originais. Destaco duas acções.

A da Burger King que oferecia um Whooper por cada dez amigos dispensados da lista de usuários no Facebook. Foi feito através de uma aplicação específica para o site em questão e criou um grande buzz à volta da marca.

Uma pizzaria australiana queria promover o seu site, e decidiu oferecer uma pizza a quem rasgasse e entregasse páginas amarelas com anúncios de outras pizzarias. Por um lado, elimina-se a concorrência , por outro promove-se o site. 2 em 1, e o consumidor claro, acha piada à coisa. Para além de comer de borla.

Novos tempos, novas tácticas.

Atypyk!

A Atypyk é um projecto de Ivan Duval e Jean Sebastien Ides, que segundo os próprios, tem como propósito desenvolver produtos com pouca ou nenhuma utilidade.

São efectivamente de uma originalidade tremenda, deixo aqui apenas alguns exemplos (o Shit from Paris pode ser lido no post anterior), aconselhando, no entanto, e vivamente, uma visita demorada ao site, vale mesmo a pena.

Catch!


Para desgostos de amor


Para as eleições que aí vêm


Mais em: www.atypyk.com

Wednesday, July 22, 2009

O Marketing.. do Lixo

Depois do marketing político, do marketing de nicho, do marketing de massas, do marketing one-to-one, do webmarketing e do marketing desportivo, aparece o.. Marketing do Lixo.

Esta nova tendência tem como objectivo recuperar dejectos de natureza diversa, transformá-los em obras de arte e claro está, vendê-las. Atenção! Não confundir com marketing reciclável, em que se recuperam copos de plástico para fazer candeeiros ou cartão de embalagens para fazer bolsas de senhora. Não, aqui o salto é muito, mas muito maior.


Comecemos pelo projecto francês "Shit from Paris" que consiste basicamente em vender baldes de merda. A promessa do produto é, e passo a citar "Brings you luck when walking in it with your left foot" Toda a informação aqui (chamo a atenção para o próximo post, absolutamente dedicado à Atypyk.. termine este primeiro contudo).


A segunda ideia em destaque do Marketing do Lixo vai para Justin Gignac, o homem que considera que "One man's garbage is another man's treasure. But New York City's garbage, well, that's art." Este projecto - que já vendeu mais de 1200 brincadeiras destas - consiste em dar um design 'fuckin yeah' ao produto (lixo no caso), arrumá-lo bem arrumadinho num cubo e voilá.. a souvenir from the Big Apple. Everything here.

Monday, July 20, 2009

Os intelectuais do som

Aqueles que do seu alto pedestal, determinam o que é bom e o que não é bom. Os parâmetros esses, são altamente duvidosos, e permitam-me desmontar esta espécie de intolerância - o grande mal dos nossos tempos por sinal.

Estes intelectuais vivem numa busca incessante de material novo; por um lado porque gostam efectivamente de música, por outro porque querem ser os primeiros a ouvir o que é diferente. Ainda que não seja às vezes grande coisa, mas.. é diferente.

Depois existe um problema: a massificação. Assim que uma música ou uma banda ganham uma considerável dimensão deixam de gostar. Porque "estão fartos", porque "não tem nada a ver com o inicio" e venha mais uma Mini. Pior, mantêm uma atitude constante de crítica em relação às pessoas que ouvem música para descontrair ou que têm uma atitude menos elitista em relação a ela. Pachecos Pereiras da música.. chill out.

Saturday, July 18, 2009

Charles Chaplin

Sempre actual: "Eu continuo a ser apenas uma coisa - um palhaço. O que me coloca a um nível bem mais alto que o de qualquer político."

Uma boa ideia

Foi a de Shashi Tharoor, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, que quando ouviu o motorista em Portugal dizer que o país tinha excesso de auto-estradas, e que se estava a pensar construir uma terceira auto-estrada para o Porto, sugeriu que se fizesse a dita auto-estrada na Índia.

Apoiado!

Friday, July 17, 2009

A Solteira

Falo da culpa e de algo que tempos a fio me questionou e que até à data, não consegui encontrar, confesso que talvez por ignorância, justificação para a matéria que de seguida descrevo.

Aquando da tragédia de Entre-os-rios, Jorge Coelho demitiu-se do respectivo Ministério, alegando que "a culpa não podia morrer solteira".

Até hoje não entendi no que é que a demissão de um ministro pode diminuir a culpa do que aconteceu. Até porque, e julgo que seja a opinião generalizada, todos tinham Jorge Coelho como alguém responsável e que imputar-lhe culpa nesta matéria era algo rebuscado. Porquê a demissão então? Provavelmente, aproveitada por motivos políticos que nada tiveram que ver com a queda da ponte. Curiosamente, Jorge Coelho trabalha na Mota Engil. E quando houver um acidente de trabalho numa obra da Mota Engil? Jorge Coelho demite-se?

Tuesday, July 14, 2009

One Hit Wonder

Vou tentar postar com alguma regularidade, hits que marcaram o mundo e a forma do mundo pensar. É preciso som.

Monday, July 13, 2009

Frase solta da noite

Endless hours and careless brains.

Friday, July 10, 2009

Au.. Revoir

Aparentemente os deputados que estão de partida para Bruxelas, fizeram uma espécie de adeus sentido na Assembleia. Até acredito que em certa medida sentirão falta do seu país. Mas a falta que vão sentir é da inércia intelectual e do joguete bacoco a que se entregam horas sem fio.. por dinheiro e pouco mais. Os velhos do Restelo e as conversas de café, apesar de serem tão inertes quanto os políticos têm toda a razão. Os políticos só querem saber de dinheiro, quem ler este texto pensará "Descobriste a pólvora", talvez.. Mas descobri o verdadeiro porquê e posso tentar fazer alguma coisa sobre isso. Vamos ver.
Repare-se em Rangel, o novo paladino da verdade, virgem na politica (advogado de profissão..), e aparentemente livre de bactérias. Mentira. Foi eleito para Bruxelas; já disse que caso o PSD vença as eleições voltará a Portugal. Mas que princípios são estes? Aconselho vivamente os leitores do blog a investigar sobre círculos uninominais, um sistema em que os políticos prestam contas de outra maneira. E que grande passo Portugal daria em direcção a uma sociedade baseada no mérito. São dois pontos essenciais que devem ser discutidos pela sociedade.. não pelos políticos, que nada fazem. Mérito e círculos uninominais.

Thursday, July 9, 2009

Frase solta do dia

The joy of driving and the sadness of walking.

Wednesday, July 8, 2009

Arte digital

Jorge Colombo, um português em New York, faz desenhos no seu iPod(!!) da cidade de Nova Iorque.. os desenhos têm honras semanais na New Yorker, a revista cosmopolita-pensante lá da terra. Podem acompanhar o seu trabalho, aqui.

A bolha da videovigilância

O quadro da justiça em Portugal é negro; enquanto legisladores apontam o dedo aos juízes, e estes aos advogados e por aí fora, o que se sabe é que o acesso à justiça - justa! - é caro.

Há situações em que não se compreende o motivo de discussões. Dois exemplos quentinhos: o jogo da bolha e a videovigilância.

De forma mediática, Madoff apanhou 150 anos de prisão por ter aliciado milhares de pessoas para um esquema fraudulento em que os lucros para pagar aos investidores tinham como origem clientes novos. O chamado esquema de pirâmide. Para efectuar pagamentos, temos que arranjar clientes novos. A história é conhecida, o desfecho também. O jogo da roda ou bolha tem o mesmo principio. No final de 2008 a ASAE pediu um parecer à Procuradoria Geral da República.. até hoje. Não se sabe como se há-de proceder; cobra-se impostos ou é crime? Que dúvidas existem?

Segundo a jurisprudência em Portugal a captação de imagens por vídeo sem consentimento, não pode ser utilizada como prova em tribunal. Se existir um aviso contudo, já é possivel. Se eu tiver uma câmera no quintal e um doido matar a minha mulher, a prova não conta, porque muito provavelmente não vou colocar um placard a dizer que tenho a casa vigiada. Posso fazê-lo, mas não tenho que subjugar o meu espaço ao capricho de criminosos.

Conclusão: falta simplicidade. Começo a pensar na Justiça um pouco como a Banca. Têm um jargão próprio, não com o objectivo de serem precisos relativamente às suas acções, mas para que possam mais facilmente escamotear as suas patetices.

Friday, July 3, 2009

Os corninhos de Pinho


Salvo seja, que não conheço a sua esposa. A notícia pode ser lida aqui, é de resto a notícia do dia, quer pelo insólito da situação, quer pelo facto de ter provocado a demissão de um ministro.

Consequências para a opinião pública e para as eleições que aí vêm: é mais um factor de desgaste para Sócrates, que de resto, sempre esteve ao lado de Pinho em todas as suas escorregadelas. Sugeriu alguém, que Sócrates devia manter alguns ministros atrás do biombo até às próximas eleições. Pinho era um deles. Mas tal como o caracol, decidiu por os palitos ao sol.

Já se fazem apostas sobre as próximas saídas do biombo.. Lino? Um bom candidato sem dúvida. Mas julgo que não chegue a este ponto.

E já agora, para quem acompanha o fenómeno político em Portugal, este episódio não é nada por ai além. Mais grave, foi por exemplo Santana Lopes, que já anunciou mais um túnel caso ganhe Lisboa. Quantos mais palitos ao sol vamos ter até Setembro?

A vida dava um livro ou não?

Apurados os resultados da votação, os leitores deste blog na sua maioria disseram que a sua vida dava uma banda desenhada. Pelos vistos, a vida até consegue ser cómica, e nós portugueses, com os olhos rasgados de maresia, somos apesar da patusqueira que nos comanda, homens e mulheres de sorriso pronto.

A próxima votação tem a ver com as funcionalidades dos telemóveis.

Thursday, July 2, 2009

Chico-espertismo

Hoje em entrevista ao i,Constantino Sakellarides, Presidente do Observatório de Saúde, quando questionado sobre o factor C na saúde, deu uma resposta em si reflexiva a níveis não só do tema saúde: "Quando eu estava na Direcção-Geral da Saúde, grande parte dos telefonemas que recebia era para trocas. Nas sociedades mais avançadas isto não é aceitável. Vivi oito anos na Dinamarca e isso não é bem visto porque as respostas são outras, cria-se um clima social pouco propício a fazer contrabando às regras. No fundo, isto é contrabando. Todos os dias venho de Oeiras, tenho que entrar na segunda circular e há uns espertos que passam a fila. E são os carros de alta cilindrada que passam. Quem faz contrabando não é a rapaziada do meio, é a lá de cima, a classe mais modelo, os BMW e Mercedes. O chegar primeiro, o passar à frente dos outros faz parte desta cultura ainda em vias de desenvolvimento. E não é liderada pelas pessoas modestas, pela classe média baixa."

Estes pequenos gestos diários, como é o caso das pessoas, que numa total falta de respeito, furam filas, e são invariavelmente, mais espertos que os outros - que cumprem a lei - são um dos principais motivos para o estado de sub-desenvolvimento em que nos encontramos. Estes são os espertos que nos partidos políticos impedem os mais capazes de chegarem a lugares cimeiros. São os espertos que contratam a filha do amigo para um cargo público, deixando currículos brilhantes voar sabe Deus para onde. Enquanto não cultivarmos todos em pequenos gestos, a cultura do mérito, o factor C suga-nos o que de melhor produzimos.

Wednesday, July 1, 2009

É isto que queremos?

Já tive oportunidade, noutros posts, de dilacerar Manuela Ferreira Leite; não simpatizo muito com a senhora, e as notícias na verdade, não a favorecem.

Em 2003, sabe-se, Portugal vendeu 11 mil milhões de euros em dívidas fiscais ao Citygroup encaixando 1,75 mil milhões para que se pudesse cumprir o limite do défice imposto por Bruxelas. Era Ferreira Leite ministra das Finanças.

Em 2002, sabe-se, Portugal - através do seu lastimável governo - vendeu à PT a rede fixa por 365 milhões de euros, quando o seu verdadeiro valor era 2,3 mil milhões de euros. Os 365 milhões foram utilizados para cumprir o bendito défice. Era Ferreira Leite ministra das Finanças.

Basicamente, num ano, oferecemos a rede fixa à PT por 1/6 do seu valor real e no ano seguinte vamos vender divídas fiscais a um banco para pagarmos o que devemos. E, no topo do bolo, agora queremos peças destas para primeiro ministro.. Brincadeira.