Friday, September 4, 2009

Ala Guedes que se faz tarde

Discute-se incessantemente a saída de Manuela Moura Guedes da TVI. Em política, para o bem e para o mal, aquilo que parece óbvio, regra geral, não é. O que é que ganhava o PS com este aparato todo a 3 semanas de eleições? Nada. Pelo contrário. Os indecisos não vão votar num partido que controla os media - todos os partidos dignos de seu nome pressionam a imprensa, mas tudo bem, vivam na ilusão que não é assim -, pois neste glorioso país a única coisa que nos indigna ardentemente é o revogar dos nossos inalienáveis direitos pós-25 de Abril. Neste caso em particular, a alegada restrição da liberdade de imprensa.

Sabendo o PS que nada ganharia com esta saída, e ninguém no PS é estúpido a este ponto, quem é que beneficiaria com toda esta salganhada? O PSD e o CDS. A direita portanto. Não me parece que se trata de um Governo salazarento que quer derrubar umas vozes pseudo-incómodas. Parece-me mais um golpe de direita do que outra coisa qualquer. My 2 cents on the subject.

Tuesday, September 1, 2009

Fracturas de novo

No último post acabei por não falar sobre os temas fracturantes; é uma questão com tendência para definir - ou não - a tendência modernista (ou não de novo) dos partidos. Sabe-se que os partidos de direita (PSD, CDS) são mais tradicionalistas, dando ênfase à família enquanto núcleo catalisador de formação de uma sociedade justa, igualitária, yadda, yadda, yadda
Por sua vez, os partidos de esquerda (PS..) e extrema-esquerda (PCP, BE, Verdes) são partidos ditos progressistas, ou seja, a favor da despenalização do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, yadda, yadda, yadda.

Considerando que estas questões são marcos de evolução na sociedade que consequências práticas têm a nível social? E económico? Para lá do calor da batalha, exemplifique-se a questão do veto à lei que alterava o regime das uniões de facto: quer-se por força desta lei dar os mesmos direitos às pessoas que vivem em união de facto, os mesmos direitos que têm as pessoas que se casam. Das duas uma: ou se acabam com as uniões de facto, ou se acabam com os casamentos. Se os direitos são iguais, para quê dar às coisas nomes diferentes? Mas calma! Já existiam casamentos (pelo menos perante a lei) antes de existirem uniões de facto. Mas antes de existir lei, já existiam uniões de facto.

Somos especialistas em discussões do ovo e da galinha.

Boa sorte.

Sunday, August 30, 2009

Programas PS e PSD.. e os temas fracturantes

Considero o programa do PSD melhor do que o do PS; eu, que já escrevi 70 posts a criticar Ferreira Leite, desta vez, reconheço o mérito do programa do PSD para as próximas legislativas. A grande diferença relativamente ao PS, que infelizmente, não passa para o público em geral, é a de um modelo de semi-direita, onde se pretende direccionar o investimento às PME's e reduzir substancialmente o papel do Estado através de privatizações e da progressiva redução das contribuições para o sistema de saúde, canalizando receitas para outros lados.. ciência talvez?

A grande questão é que não se discute (e julgo que Fernando Madrinha refere também esta questão no Expresso desta semana) os métodos de aplicação das promessas. É assim que normalmente, muitas promessas ficam na gaveta.

Na extrema-esquerda não voto, o PS quer gastar o dinheiro que não há e o PSD para além de não especificar como é que vai fazer as coisas, continua a alimentar o seu aparelho partidário independentemente dos problemas jurídicos que envolvem ilustres nomes das suas listas para deputados.

Dito isto, um voto nulo será o meu contributo para estas eleições.

Friday, August 28, 2009

Random Images

Thursday, August 27, 2009

Random Images

Obamacare

Barack Hussein Obama de seu nome, pretende introduzir no seu país - the land of the free - um sistema de saúde, idêntico ao que existe na maior parte dos países europeus: subsidiado pelo Estado, leia-se, pelos contribuintes. O sistema norte-americano vigente é o de seguros de saúde privados onde só os que têm dinheiro, têm acesso a cuidados de saúde. Apresentada assim a coisa, parece-nos a nós europeus, uma coisa chocante, não tratar dos enfermos só porque não têm dinheiro. Analisemos então ambas as sociedades - europeia e americana - para entender a discrepância e já agora debito a minha laracha para a fogueira.

Grande parte da Europa vive numa espécie de espírito colectivo, espírito esse que se reflecte na organização política de cada país e na própria forma de estar e de pensar dos cidadãos. Os europeus dão como certos o acesso aos cuidados de saúde, à justiça, à educação, ao trabalho e a uma miríade de direitos resultantes de uma história recente, repleta de ditaduras,que originou constituições altamente igualitárias achando-se por bem garantir tudo e mais alguma coisa a todos as pessoas. Sim, a todos, porque perante a lei e a constituição, todos são iguais! Esta forma de organização, em que a política nos diz que as coisas são grátis, origina vários problemas: o primeiro, e mais premente, é a sobrecarga terrível de impostos de que somos alvo. Porque é que acham que se pagam tantos impostos? O dinheiro que o Estado nos cobra serve para quê? Os artistas de café argumentarão que é para estradas, pontes e rotundas. Mas não é bem assim. Mais de metade do orçamento de Estado vai para a Saúde e a Educação. Quanto menos dinheiro o Estado tiver que gastar, menor é a quantidade de impostos que tem que nos cobrar. Se este esforço for suportado pelas empresas através da sua natural actividade económica, sobrará mais espaço para aliviar o comum dos cidadãos no que aos impostos diz respeito.
Segundo problema: como é o Estado que nos possibilita todos estes direitos quando alguma coisa corre mal, a culpa é do Estado e não do individuo. Esta desresponsabilização do cidadão, que em Portugal por exemplo assume níveis preocupantes, leva a que as pessoas cometam erros porque sabem que as consequências desses erros pouco impacto têm na sua vida. A tal sociedade colectivizada europeia, ensinou-nos a ter pena das outras pessoas e a ajudá-las quando elas mais precisam: na doença, no desemprego, na pobreza etc.. O problema é a avaliação de cada situação; um individuo despede-se. O patrão com pena, passa à mesma os papéis para o subsídio de desemprego. O individuo recebe ajuda estatal. É saudável. Despediu-se porque já se levantava às 7h00 todos os dias há um ano e meio. Porque é que tem que ser o individuo trabalhador a suportar estes caprichos?
Terceiro problema: esta ideologia leva também à própria deterioração da qualidade dos políticos. As suas propostas limitam-se a ir de encontro ao que as pessoas querem: mais coisas grátis. E vive-se assim na ilusão de que as coisas são grátis, quando na verdade, alguém tem que as pagar, curiosamente, o individuo saudável e trabalhador.

Vamos agora aos Estados Unidos, uma das principais economias do mundo. O PIB per capita, ou seja, a contribuição média de cada cidadão para a riqueza produzida pelo país, é no caso de Estados Unidos (e de acordo com o CIA World Factbook, dados de 2008) de 47.103$ e no caso da Europa de 38,390$. Segundo a Interbrand, das 100 marcas que mais valem no mundo, 64 são americanas. Porquê?
Primeiro, porque ao contrário da Europa, o background histórico americano baseia-se no empreendedorismo e na capacidade individual de cada um, ou seja, na responsabilização do individuo perante o seu sucesso e as suas falhas. A sociedade entende que se esforçar o suficiente consegue alcançar os seus objectivos. Se não se esforçar, a mão protectora simplesmente não existe.
Segundo, e uma consequência dessa forma de estar responsabilizadora, quando algo corre mal, a culpa não é sempre do Estado. A vida nem sempre corre bem. Nos Estados Unidos, procuram-se soluções práticas para os problemas, não quem é o culpado, ou a cor das cuecas do vizinho. Uma das grandes vantagens de uma sociedade orientada para a individualização é que se olharmos só para o nosso umbigo, conseguimos concentrar-nos nos nossos objectivos e aplicar grande parte da nossa energia naquilo que é realmente importante.
Terceiro: economicamente, se o Estado transmite aos seus cidadãos a mensagem que as coisas não são grátis, como é o caso dos Estados Unidos, consegue curiosamente ajudá-los mais do que a oferecer-lhes o que quer que seja. Se não existe a necessidade de realizar tanta receita é possível não cobrar tantos impostos e ao mesmo tempo orientar o investimento para o que realmente interessa (sabemos que nos últimos anos este investimento tem sido orientado para guerras intestinas no Médio Oriente, mas isso são contas para outro post).

Conclusão: Obama quer incutir uma espécie de socialismo na América. À primeira vista, a ideia de garantir aos que mais precisam, acesso a cuidados de saúde, tem o nosso apoio incondicional. Mas, nada é grátis. Daí toda a revolta, num país que entende que cada um, é responsável pela sua própria factura.

Saturday, August 22, 2009

A Falésia

Este episódio, onde tristemente faleceram 5 pessoas, que por sinal, passavam férias no Algarve, é à parte da evidente tragédia, também a tradução da nossa estupidez enquanto povo no que às regras e recomendações diz respeito. Como é sabido, a zona estava identificada como sendo perigosa, mas mesmo assim, as pessoas insistiram em utilizá-la.

O povo português tem uma relação estranha com as autoridades e com as mensagens que as mesmas lhe enviam; obedecemos cegamente ao Dr. Salazar anos a fio, e agora desobedecemos cegamente a todas as entidades conhecidas. Vamos para baixo das falésias, para penhascos praticar pesca (já morreram uns quantos também), bebemos quando conduzimos, aceleramos até não dar mais nas estradas, fazemos ultrapassagens perigosas, em contra-mão ou em curvas, quanto maior o perigo melhor. E fazemos isto tudo porquê? Porque sabemos que as consequências dos nossos actos têm pouca ou nenhuma repercussão. Pagamos umas multas, ou não as pagamos de todo, porque o nosso sistema judicial é uma porta aberta ao chico-espertismo e as coisas vão andando. Se acontecer alguma coisa é fácil: a culpa é do Estado. E se o Estado usar da força para nos proibir de comportarmo-nos como crianças rebeldes podemos sempre chamar os meios de comunicação social que tão facilmente agitam a bandeira do fascismo em qualquer oportunidade.

Existem actualmente dois inimigos públicos em Portugal: a Brigada de Trânsito e a ASAE. Os primeiros são acusados de caça à multa. O problema afigura-se simples: se as pessoas cumprirem as regras não há alegada caça à multa que resista.
A ASAE, imagine-se, cumpre directivas europeias, obrigando alguns costumes (como as bolas de berlim com creme nas praias) a verem um fim, e vem o povo revoltado dizendo que é um exagero este tipo de actuação, e de novo, a ladainha fascista. A verdade é que um qualquer doutor - à boa maneira portuguesa - conseguiu encontrar uma falha na forma como a ASAE foi criada pelo governo e será provavelmente declarada inconstitucional e grande parte dos seus actos poderão provavelmente ser revogados e os visados recompensados pelas suas badalhoquices.

Já alertei que o problema de Portugal é tanto dos governantes como dos governados. Temos uma sociedade civil fraca, que toma decisões fracas. Os erros e as más decisões têm que ser pagas mais cedo ou mais tarde. Algumas vezes e de forma triste.. com a vida.

Não me admira que neste caso nenhum estrangeiro faça parte da lista de vítimas. Estrangeiros dessa longínqua Europa, cumpridora de regras e com níveis de vida dignos de seu nome. Recordando um culto e engraçado comparsa: "A Europa meu amigo.. acaba nos Pirenéus"