Thursday, February 26, 2009

Emails

Sim, emails, no plural.

Reparei numa pesquisa que fiz, que muitas empresas têm vários emails. Calma, não é isso que estão a pensar. Bem sei que é normal a empresa, por exemplo, Via Rápida (transportes imaginemos), ter um geral@viarapida.pt, um comercial@viarapida.pt, um direccao@viarapida.pt e por ai fora. So far, so good.

Mas ao que parece, existe um número considerável de empresas a colocar dois e mais emails de carácter geral em sites de directórios de empresas. Do género, viarapida@gmail.com e viarapida@hotmail.com... Mas que raio de ideia é esta? Será uma espécie de tenhas 91 ou 96 podes ligar sempre porque tenho as redes todas? Como se ter dois emails com o mesmo propósito fosse uma vantagem do que quer que seja. Emails que nem personalizados são ainda por cima! Tendo em conta o brutal espaço disponibilizado de forma gratuita por tantos servidores, para quê esta pancada do email duplo?

Corporate Portugal, vamos embarcar na moda de um único email sim? Vários, só se o email for personalizado, e se a empresa tiver departamentos que justifiquem essa separação.

Inaugurações

Há por aí uma qualquer pseudo-polémica sobre inaugurações. É de um senso comum tão rastejante que o simples facto de ser polémica, torna o assunto em si e os seus intervenientes em algo não menos que ridículo.

Sua Excelência o Ministro das Obras Inúteis, em mais uma inauguração - lá está! - disse de peito feito que não estava ali para uma inauguração e para gastar dinheiro. Estava sim, para informar os portugueses em geral, os autarcas, a abelha maia e uma cigarra que saltou para o palco a meio do discurso, que um novo e glorioso percurso se estreava ao público em todo o seu esplendor . Não preciso de dizer que existem meios infinitamente mais baratos para divulgar a abertura de um troço de estrada.

O que não há, são políticos preocupados com o dinheiro que é de todos; para além de continuarem esquizofrenicamente a fazerem estradas atrás de estradas e a deixarem o investimento no ensino em Alcabideche Sul, ainda fazem uma inauguração em cima do que já gastaram.

Pior, estes são assim, o resto da Assembleia também. Votamos em quem?

Escolas em patrulha

Os países desenvolvidos seguiram mais ou menos este rumo: primeiro haviam ajustes de contas ao pôr-do-sol; a dada altura, os cavalheiros davam dez passos para cada lado e o primeiro a disparar ganhava o duelo. Tivemos depois as milícias vigilantes, organizadas por populares para deter surtos de violência em zonas problemáticas. As sociedades evoluíram em matéria de controlo criminal quer através de legislação, quer através de um contínuo aperfeiçoamento das forças policiais.

Vai sempre haver crime é certo, mas é de consenso geral, que a evolução acima apresentada (de forma sintética diga-se de passagem), foi, entre cada passo, o caminho certo a percorrer com vista ao bem estar geral das populações.

Vejo hoje uma notícia que numa escola em Monte Abraão - Queluz (Escola Ruy Belo ao que parece), os professores organizaram uma espécie de milícia para travar a crescente violência na escola em questão. Acredito que tenham falado com o respectivo Ministério sobre o tema e que tenham recebido uma resposta que em nada resolvia o assunto. Em último caso, vai de formar uma milícia e voltar 100 anos atrás no tempo.

Nos países desenvolvidos que eu atrás referia, também há problemas na escola. Mortes causadas por armas de fogo inclusive. Solução encontrada? Detectores de metais à porta. É radical? Sim. Mas se temos indivíduos a cometer crimes considerados de um "adulto" então essas mesmas pessoas têm que ser tratadas como tal e responsabilizadas de acordo com os actos que cometem independentemente da idade que tenham. Sugestão do blog: activar todos os meios necessários para punir - como deve ser - estes jovens "desintegrados".

Wednesday, February 25, 2009

Campanha Crédito Agrícola Parte II

Nos meus ocupados e apertados dias nunca consigo escrever tudo o que quero, vou-me lembrando aos poucos das coisas. Sim, devia consultar um médico, mas acho que gosto mesmo deste estilo de vida. Adiante.

Imediatamente no dia seguinte ouvi na rádio uma campanha do BES para um produto de poupança; dou os meus parabéns a quem pensou no spot. Trata-se de uma mulher a queixar-se que não tem dinheiro, outra (supostamente um familiar) a dizer que lhe depositou religiosamente 25€ todos os meses na conta, a primeira a ficar contente, e a segunda a dizer que não passa de uma brincadeira. A voz off termina com o habitual o BES é que sabe e tal. É de facto algo inteligente de se fazer, já que numa época de tamanha incerteza que se vive, a única coisa que faz sentido é mesmo poupar. Há que apanhar a onda. Simples.

Ficou por dizer no último post que a publicidade para ser minimamente credível, tem que se apoiar em ideias sólidas. Nenhuma pessoa que tenha visto o anúncio, vai pedir um crédito à habitação ao CA só porque a Silvia Alberto lá "vai"; o motivo é simples: toda a gente tem a percepção (mesmo que assim não seja, o que conta é a percepção e não a realidade) que a Sílvia Alberto não precisa de ir ao Crédito Agrícola para comprar o que quer que seja (casas incluídas). Ou até pode ir, mas não está sentadinha numa mesa com um gestor de conta como no anúncio, e o que conta.. é a percepção. Consumidor 1 Publicidade 0

Por último, fica o conselho de um marinheiro.. Crédito Agrícola. Foram bons os anos que este nome durou, mas está definitivamente na altura de o mudar para outra coisa. Como é que se cativam as novas gerações (no final da campanha vão perceber que pôr miúdos a jogar PSX no anúncio não funciona para o efeito) com o nome Agrícola? Sem desprimor para qualquer agricultor. O nome dessa geração da PSX é também chamada de geração Net. NET! Computadores, I-Pods, I-Phones, sexo virtual, electrónica, plasmas, pens de 2cm com 1GB de música e por aí fora. Its the name, stupid!

Monday, February 23, 2009

Campanha Crédito Agrícola

Na sequência da viagem efectuada pelo reino da publicidade, não levou muito tempo ao blogue, encontrar não conformidades nesta área.

Analisemos então esta nova campanha do CA. Lamento, mas não encontrei o vídeo em parte alguma pela que suas senhorias terão que ver o spot na TV ou onde conseguirem. Consiste basicamente na lindíssima Sílvia Alberto a dizer que o CA tem solução em matéria de crédito à habitação para toda a gente: jovens solteiros a jogar playstation e a comer pipocas, young adults em início de vida e casais realizados profissionalmente que já compram a casa com piscina. Ou seja, para todos. A ideia, terá vindo de qualquer brilhante mente paga a peso de ouro, que argumentará que os níveis de notoriedade têm subido (era melhor, com o dinheiro que gastam em prime-time) and so on. E as vendas? Têm subido?

A campanha é lançada num momento em que todo o mundo, repito todo, sabe que a culpa da presenta caldeirada económica se deveu em considerável parte, ao incumprimento no pagamento da prestação da habitação. Eu sou consumidor, vou então enfiar-me num empréstimo de 30 anos sem saber o que vai acontecer. Argumentam as mentes ofuscantes que se tem que contrariar a maré. E que tal, comunicar produtos de poupança, esses indicadores sim, têm crescido muito mais que os do crédito à habitação?

Mas mesmo partindo do pressuposto que se tinha imperetrivelmente que comunicar crédito à habitação, porque carga de água se comunica dos 20 aos 50? Publicidade para três gerações! Vamos embora! Prá frente é que é Lisboa! E quem é que a jogar playstation e a comer pipocas, vai no seu (pouco) juízo comprar uma casa? "Sugerir novos hábitos de consumo"

Yeah right.

Thursday, February 19, 2009

The Zoo in Madison Avenue

Retirado do livro "The Fall of Advertising and The Rise of PR" de Al e Laura Ries; crítica sobre o uso excessivo e obrigatório de criatividade nas agências de publicidade.

"Like artists in search of recognition, advertising people are quick to jump on the latest creative fad. A few years ago, animals were all the rage on Madison Avenue. One of the first advertisers to raid the zoo was Energizer, wich did bunnies.
And the animal parade was on. Coca-Cola did polar bear. Budweiser did ants, frogs, ferrets, beavers and finally lizards. Budweiser´s sibling Bud Ice went looking for an animal of its own to sponsor, so they asked themselves, who is most likely to drink an ice beer? You guessed it, penguins. So Bud Ice did penguins.
The Postal Service did eagles. Merril Lynch did bulls. Taco Bell did Chihuahuas. Allstate did deer. Dreyfus did lions. Yahoo! did dolphins. American Tourister did gorillas. E*Trade did chimpanzees. La-Z-Boy did raccoons. Cadillac did ducks. Range Rover did elephants. BMW did turtles. Turtles? The ultimate driving machine is a turtle? Top speed, two miles a day.

A recent two-page advertisement for the Saturn Vue sport-utility vehicle managed to squeeze in twenty-three different animals. Are animals in advertising good or bad? Like every question in marketing, the correct answer is always the same: it all depends. It all depends on what you are promoting. If you are promoting a zoo, animals are probably a good idea. If you are promoting an automobile, probably not.
But the creative mind thinks differently. If nobody else is using animals to promote an automobile, then animals might be a good idea. And to be really creative, the automobile advertising has to incorporate an animal that no one else is using. Hence turtles for BMW.

The zoo parade is likely to continue. More than four thousand species of mammals are available, ranging from the shrew, which weighs seven-hundredths of an ounce, to the whale, wich weighs up to 140 tons. The whale, is of course, taken by Pacific Life, but the shrew is still available if you´re still interested."

Tuesday, February 17, 2009

Mix

De vários assuntos, o tempo para variar tem sido escasso.

A crise, que continua na mesma como a lesma; vamos ver se o pacote Obama resolve o que quer que seja. Opinião pessoal: continuar a despejar dinheiro nos bancos por despejar não vai resolver nada. A crise nas suas várias vertentes, tem a meu ver a sua pior face na confiança: dos mercados financeiro e real, das empresas e do anónimo consumidor. É essa confiança que tem que ser restabelecida. De pouco vale injectar milhões aqui e ali se no dia seguinte temos notícias de milhares de desempregados, e índices económicos de praticamente todo o mundo a fazer bungee-jumping sem bungee.

Um aspecto interessante; verifica-se, ainda hoje, uma certa corrente anti-internet, ou seja, que não passou de uma bolha e que nunca se há-de fazer muito dinheiro com aquilo. Houve muita especulação é verdade, mas nos EUA, epicentro do terramoto financeiro, a Google - que amavelmente cede o servidor ao vosso escriba para escrever estas trapalhadas - apresentou resultados positivos ao contrário de muita boa gente.

Em Portugal, em vez de discutirmos o que fazer para sair o mais depressa possível de crise (se bem que a nós resta-nos infelizmente esperar que os países que importam as nossas mercadorias se levantem), discutimos o BPN e o Dias Loureiro, a Manuela Ferreira Leite e as suas execráveis sondagens, Sócrates e o Freeport (agora há por aí um episódio de Pinóquio ao que parece), e de novo pergunto, pela massa intelectual do País? Onde anda? Que soluções apresenta?

Um bom exemplo do que é usar as novas tecnologias para estimular um debate sobre um dado tema vem da Economist. Pode ser visitado, aqui.